Tradução do gvSIG para o Pt-Br, um trabalho coletivo

Buenas, pessoal!

Como prometido torno a trazer este assunto, agora para contar com maiores detalhes o porque deste trabalho, e como ele foi desenvolvido desta vez.

Já comentei diversas vezes os motivos que me levarm a me envolver com a tradução do gvSIG ([1], [2] e [3], para quem quiser recordar). Todo este envolvimento terminou em um convite para participar da tradução “oficial” do gvSIG, que se dá no próprio site gvsig.org, em um ambiente semelhante ao do Launchpad.

O primeiro trabalho de revisão da tradução foi um pouco “solitário”. Tive o apoio de vários usuários, que deram suas opiniões em diversos assuntos mas, de uma forma geral, o trabalho foi desenvolvido sozinho, e o resultado final foi divulgado aqui mesmo no blog e no twitter, tendo alcançado uma boa repercussão, e originado diversos contatos de pessoas interessadas em participar da tradução.

Tudo ficou em compasso de espera até o momento que recebi um email do Mario Carrera, da equipe do gvSIG, convidando para traduzir algumas strings novas que haviam sido introduzidas recentemente, visando o lançamento da versão 1.11 do programa. Pensando em aproveitar o momento para fazer uma revisão geral na tradução brasileira, lancei um apelo aqui no blog, que foi replicado no twitter, e que recebeu divulgação em blogs parceiros. Paralelamente, lancei também o desafio na Gvsig-br, a lista de emails da Comunidade Brasileira de Usuários do gvSIG, desafio este que foi muito bem recebido pela comunidade.

A partir daí, começaram duas discussões paralelas:
– Como organizar os trabalhos, de forma que todos os interessados tivessem acesso aos arquivos da tradução; e
– Como organizar a discussão sobre quais os termos a serem adotados na tradução.

O primeiro ponto foi resolvido, após algumas dificuldades técnicas, com a adoção de uma planilha hospedada no GoogleDocs contendo a relação de todas as strings do gvSIG a serem traduzidas (atualmente 5.472 strings), com uma coluna reservada para a linha de código do programa, uma coluna para a tradução brasileira atual e outras duas colunas contendo as traduções em espanhol e em inglês, para servirem de referência. Além dessas, adotamos outra coluna destinada a acolher a nova tradução brasileira ou, se fosse o caso de haver dúvidas, servir de local para anotações de dúvidas e sugestões de termos alternativos.

Essa planilha foi compartilhada entre todos os usuários que se voluntariaram a participar, e todos eles tinham permissão de editá-la. No primeiro momento, cada voluntário recebia um intervalo de 300 strings para revisar, e a medida que terminava a sua tarefa, eram alocados novos intervalos para trabalharem.

Para facilitar o trabalho em equipe adotamos um código de cores: strings revisadas e que estavam corretas ou que haviam sido traduzidas sem problemas eram marcadas com amarelo, enquanto que aquelas strings que continham termos a serem discutidos mais tarde ou que haviam dúvidas quanto a tradução eram marcadas com vermelho e as sugestões/dúvidas eram anotadas na coluna correspondente.

Com a participação massiva da comunidade essa primeira etapa foi vencida em dois dias! Restava então o segundo ponto: a discussão sobre os termos polêmicos a traduzir. Por exemplo: qual termo adotar para traduzir “capa”? Camada, layer ou tema? Ou manteríamos o uso de capa, mesmo?

Neste momento a Gvsig-br foi fundamental como local concentrador das discussões. Foi feita uma lista com os principais termos em que havia dúvidas na tradução, e foi apresentado à lista. A partir daí, com a experiência dos usuários em cada área de conhecimento, eram sugeridas as alternativas existentes e, então, colocado em votação. Desta forma, conseguimos uma lista de termos traduzidos.

A partir daí, o trabalho voltou novamente ao GoogleDocs: as strings que continham os termos que já haviam sido discutidos foram revisados e corrigidos, adotando-se outra cor para destacar essa situação (laranja, no caso). Nesta fase foi de muita valia outra característica do GoogleDocs: a discussão online. Todos os que estavam acessando o documento naquele momento podiam conversar e trocar idéias, agilizando muito o processo. Foram realizadas várias reuniões online desta forma, chegando a estar presentes mais de dez usuários ao mesmo tempo.

E no GoogleDocs foi feita também a rodada final desta etapa: a definição dos termos que ficaram sem tradução. Foi mais uma passada em todas as strings, no mesmo padrão: consulta a lista e debate online, sendo que neste momento foi mais importante a presença online, principalmente pelo pouco tempo que restava para vencermos o prazo que nos fora dado.

Paralelamente a esse trabalho eu estava postando as strings já revisadas no sistema do gvsig.org, adiantando o serviço, já que não havia maneira de importar diretamente a planilha em que estávamos trabalhando, o que também servia como uma revisão paralela, reforçando o resultado final.

E foi desta maneira que terminamos o trabalho de revisão da tradução das 5.472 strings do gvSIG para o português brasileiro. Participaram deste trabalho em equipe, seja colaborando com a divulgação, com sugestões, partipando do debate ou diretamente na edição e revisão das strigs, os seguintes voluntários, em ordem alfabética:
Alexandre Donato
Allan Monteiro
Anderson Medeiros
André Rodrigo Farias
Antonio Carlos Leite de Borba
Arlei Macedo
Benjamim Pereira Vilela
Carlos Almeida
Edmar Moretti
Eliazer Kosciuk
Esdras Andrade
Fábio Rodrigo
Gilberto Cugler
Jarbas Nunes Vidal
Jorge Getulio Vargas Freitas
Jorge P. Santos
José Carlos Jr.
Julio Marchi
Marcelus Oliveira de Jesus
Maria Augusta Doetzer Rosot
Pedro Bittencourt
Vinicius Battistelli Lemos
Wilson Holler

Destaco novamente a forma voluntária e participativa que o trabalho foi realizado, demonstrando o amadurecimento da Comunidade Brasileira de Usuários do gvSIG. Mesmo sabendo que não podemos dar a tradução como acabada, até porque o programa está em constante evolução, temos a certeza de que a continuação do trabalho será muito mais fácil. Há muita coisa a aprimorarmos, o que só virá pelo nosso retorno depois de usarmos ela no dia-a-dia de trabalho.

Deixo aqui novamente o agradecimento a todos os que, de uma forma ou de outra, participaram deste processo. E bom proveito com a nova tradução!