Arquivo da tag: SLGeoTbFaz

Calculadora de campos no gvSIG – Operações com textos – parte 3

Buenas, pessoal!

Como prometido nos artigos anteriores desta série, nesta última parte sobre o uso da Calculadora de campos na manipulação de strings no gvSIG, vamos abordar a aba “Avançada”:

calculadora-de-campos_txt_3_00

 Para quem perdeu o restante da série, é bom dar uma revisada antes de prosseguirmos:

Um breve “histórico” sobre o porque deste último artigo na parte de operações com textos no gvSIG: quando comecei a desenvolver esta série de artigos, tomei por base a série homônima que o Jorge Santos, do blog Processamento Digital, criou para o ArcGIS. Tanto que enquadrei o artigo com a hashtag #SLGeoTbFaz. No primeiro artigo da série sobre operações com textos ele abordou o uso do VBScrip para preenchimento de campo com valores baseados em outro campo, e fiquei bastante frustado ao perceber que, em um primeiro momento, eu não via a possibilidade de replicar esta parte do tutorial no gvSIG, pois o mesmo não permite o uso de scripts em VisualBasic.

No segundo artigo, ele fez uso das funções “left” e “right”, que também não estão disponíveis no set de funções para manipulação de strings disponibilizadas na Calculadora de campos do gvSIG. Esta  aparente dificuldade foi contornada com o uso da função “subString”, que permite retornar partes de uma string, mas ficava o desafio de replicar essas funções do ArcGIS que aparentemente não estariam disponíveis no gvSIG.

A solução veio exatamente ao estudar um pouco sobre a aba “Avançada” da Calculadora de campos do gvSIG. Embora pouco documentada, essa é uma característica poderosa que foi disponibilizada, pois nos permite executar scripts em Python ou Jython, o que nos abre um novo (e poderoso) campo de exploração para o uso da Calculadora de campos com o gvSIG.

O próprio Jorge Santos nos dá um exemplo do uso avançado de scripts Jython no gvSIG com o artigo Classificação de campos numéricos com Jython. Mas exploraremos a partir de agora algumas das possibilidades que nos são abertas com esta ferramenta:

Em primeiro lugar, vamos abrir o gvSIG e criar uma nova vista, com a projeção SAD69/UTMzone23S (código EPSG 29183). Nesta nova vista, inserimos o arquivo shape que podemos baixar aqui: ARQUIVO2. (obs.: se você já tiver este shape, proveniente dos outros tutoriais que estivemos trabalhando, basta criar novos campos para acompanhar o trabalho que iremos desenvolver. Como são poucos registros, podemos inclusive apagar os dados dos campos que iremos trabalhar).

Em seguida, selecionamos o shape no ToC do gvSIG, e entramos no modo de edição. Selecione o campo [PREFIXO] e acesse a Calculadora de campos. Deveremos ter uma área de trabalho semelhante a essa:

calculadora-de-campos_txt_3_01

Antes de prosseguirmos, baixe o seguinte script em Python: strings.py, e salve o arquivo em um local onde você possa acessá-lo posteriormente. Você pode até criar uma pasta de scripts dentro da sua pasta de trabalhos do gvSIG, para facilitar o acesso.

Segue abaixo o conteúdo do arquivo “strings.py“. Como você pode conferir, estaremos adicionando 5 novas funções à nossa Calculadora de Campos: right, left, toTitle, toPhrase e toSwapCase. Para os curiosos e fuçadores, deixo abaixo o código python que está neste script:

# Função right: separa n caracteres a partir da direita de uma string
def right(string,number):
return string[-number:]
# Função left: separa n caracteres a partir da esquerda de uma string
def left(string,number):
return string[:number]
# Função toTitle: transforma uma string em título (primeira letra de cada palavra em maiúscula)
def toTitle(string):
return string.title()
# Função toPhrase: transforma qualquer string para uma frase (primeira letra maiúscula e as restantes minúsculas)
def toPhrase(string):
return string.lower().capitalize()
# Função toSwapCase: transforma a string: o que for maiúsculo vira minúsculo e vice-versa
def toSwapCase(string):
return string.swapcase()

Outra dica importante é sempre documentar muito bem o seu código através do uso de comentários (linhas começando com o caractere “#”), explicando o que cada trecho do código faz. No momento da criação do código pode parecer não ter importância, mas quando você (ou outra pessoa) for usar novamente, vai agradecer muito por não ter que ficar “quebrando a cabeça” para entender o que aquela função faz.

Voltando ao gvSIG e ao nosso tutorial, na janela “Calcular Expressão” clique na aba “Avançada” e, em seguida, no botão “Explorar“. Navegue até o local onde você salvou o arquivo “strings.py“, selecione-o e clique em “Abrir“. O caminho para o arquivo deverá aparecer no campo de texto.

 calculadora-de-campos_txt_3_02

Por último, clique no botão “Avaliar“. Se não aparecer nenhuma mensagem de erro, é porque está tudo ok com nossas rotinas em python, e podemos continuar o nosso processo, agora contando com novas funções na nossa Calculadora de Campos. Note que as novas funções não irão aparecer na listagem dos Comandos.

Vamos [finalmente] fazer uso das nossas funções desenvolvidas: na área de textos “Expressão“, digite a seguinte expressão:

left([FONE],4)

e clique em “Aceitar“.

calculadora-de-campos_txt_3_03

No campo “PREFIXO” da nossa tabela, deverão aparecer os prefixos dos telefones que tínhamos cadastrado no campo “FONE”. Isso porque, através da expressão acima, estamos solicitando para a Calculadora de Campos do gvSIG que ela separe os 4 primeiros caracteres do campo “FONE”, a contar da esquerda, e coloque eles no campo “PREFIXO”.

calculadora-de-campos_txt_3_04

Agora, vamos usar a função “right” para obter apenas o número do telefone, sem o prefixo. Na tabela, selecione a coluna “TEL” e abra a Calculadora de Campos. Na área de textos “Expressão“, digite a seguinte expressão:

right([FONE],9)

e clique em “Aceitar” para conferir o resultado.

calculadora-de-campos_txt_3_05

Para testarmos as outras funções que estão disponíveis neste pequeno script precisaremos criar um novo campo na nossa tabela (se você não sabe como fazer, consulte os artigos anteriores). Crie o campo “NOME2”, do tipo “String”, com “69” caracteres de comprimento (o mesmo comprimento do campo “NOME” da nossa tabela).

Criado o campo, selecione a nova coluna “NOME2” que apareceu na tabela e abra a Calculadora de Campos.

Primeiramente testaremos a função “toSwapCase“, que faz a seguinte transformação na string: o que for maiúsculo vira minúsculo e vice-versa. Para tanto, digite a expressão:

toSwapCase([NOME])

E confira o resultado:

calculadora-de-campos_txt_3_06

Como todos os caracteres do campo “NOME” estão em maiúsculas, com a aplicação da função eles passam a ser minúsculas.

Ainda com a coluna “NOME2” selecionada, abra novamente a Calculadora de Campos e aplique agora a função “toTitle“, que transforma uma string em título (primeira letra de cada palavra em maiúscula). Para tanto, digite a expressão:

toTitle([NOME])

e veja que agora o campo “NOME2” foi alterado:

calculadora-de-campos_txt_3_07

Finalmente, vamos testar a função “toPhrase“, que transforma qualquer string para uma frase (primeira letra maiúscula e as restantes minúsculas). Mesmo procedimento das anteriores, agora digitando a expressão:

toPhrase([NOME])

E podemos conferir que agora, no campo “NOME2”, os endereços estão apenas com a primeira letra maiúscula e as demais em minúsculo:

calculadora-de-campos_txt_3_08

E chegamos ao fim de mais um tutorial, encerrando assim a análise do uso da Calculadora de Campos do gvSIG na manipulação de campos do tipo “string” (campos de textos). Estes artigos apenas “arranharam” as possibilidades que são abertas com o uso desta ferramenta na manipulação de dados, principalmente se considerarmos os recursos que nos são disponibilizados pelo uso de scripts python/jython, que podem facilitar muito nosso trabalho quando trabalhando com dados em tabelas.

Nos próximos tutoriais devemos começar a trabalhar com o uso da Calculadora de Campos na manipulação de campos numéricos. Nos vemos em breve (espero)!

Diagrama de Voronoi no gvSIG + Sextante (#SLGeoTbFaz)

Buenas, pessoal!

Mais um ponto para o software livre: a integração entre os vários projetos, agregando diversas ferramentas e potencializando o resultado final, o que nos permite obter o mesmo resultado utilizando caminhos diversos.

Hoje voltamos ao Diagrama de Voronoi. No artigo anterior vimos como gerá-lo através da extensão de Topologia do gvSIG. Hoje veremos como obter o mesmo resultado no gvSIG através das rotinas disponibilizadas pela extensão Sextante.

Iniciando a partir do resultado que obtivemos no último artigo, vamos abrir a extensão Sextante, clicando em “SEXTANTE > Caixa de ferramentas” ou clicando no ícone correspondente:

voronoi_sextante01Será aberta a janela da ferramenta Sextante:

voronoi_sextante02Para facilitar a localização, vamos utilizar o campo de busca (“Search“), fazendo uma busca pela palavra “voronoi“:

voronoi_sextante03Podemos notar que aparecerão apenas a rotina referente ao Diagrama de Voronoi. Poderíamos achar a mesma ferramenta seguindo o caminho: “Algorithms > SEXTANTE > Tools for point layers > Voronoi tesellation

Basta então clicar sobre o nome da rotina que será aberta a janela correspondente. Na primeira aba precisamos definir dois parâmetros: a camada de pontos, que será o shape “parada_bus.shp”, e também o nome e o caminho do arquivo que será gerado:

voronoi_sextante04Na segunda aba devemos definir o tamanho do arquivo que será gerado. Podemos escolher se o diagrama será gerado em relação à camada de entrada, se será defina pelo usuário, se levará em consideração o tamanho de uma vista, ou será gerada em relação ao tamanho de uma camada. Podemos selecionar a primeira opção, que gerará o Diagrama de Voronoi levando em consideração o tamanho da camada de entrada:

voronoi_sextante05Selecionados os parâmetros que a rotina necessita, podemos clicar no botão “OK”, e o Diagrama de Voronoi será gerado, sendo automaticamente inserido na vista que estamos trabalhando:

voronoi_sextante06Alterando os parâmetros da simbologia, podemos ver o nosso resultado final, agora gerado no gvSIG através da extensão Sextante:

voronoi_sextante07Por hoje é isso pessoal.

Diagrama de Voronoi no gvSIG (#SLGeoTbFaz)

Buenas, pessoal!

Como comentamos no último artigo, onde falamos sobre a instalação da extensão de Topologia no gvSIG, dissemos que a mesma seria necessária para o próximo assunto, o Diagrama de Voronoi:

Vou fazer um “CTRL-C – CTRL-V” no texto do Anderson Medeiros sobre a função do Diagrama de Voronoi, para não chover no molhado:

diagrama de Voronoi, também conhecido pela denominação de polígonos de Thiessen é utilizado para resolver problemas que envolvem conceito de proximidade em um plano. É uma das estruturas mais importantes no contexto da Geometria Computacional.

Recomendo o texto “Diagrama de Voronoi e suas aplicações em SIG“, também do Anderson Medeiros, se você quiser se aprofundar um pouco mais na parte teórica. Como o nosso objetivo é a parte prática, baixe esse arquivo de shapes, que contém dois shapes:  o shape “lotes.shp” representando as quadras de um determinado bairro, e o shape “paradas_bus.shp” representando as paradas de ônibus existentes naquela região. Utilizaremos o geoprocesso do Diagrama de Voronoi para gerarmos um diagrama que nos permita fazer uma análise espacial da distribuição das paradas de ônibus, para verificarmos se as suas localizações estão atendendo as demandas dos usuários, por exemplo. Vamos ao trabalho:

Em primeiro lugar, abra o seu gvSIG, já com a extensão de Topologia devidamente instalada (se ainda não instalou, volte ao artigo anterior neste blog). Crie uma nova Vista, no sistema de projeção SAD69 (EPSG 4291). Abra a Vista e insira na mesma os dois shapes que foram baixados:

voronoi00

Em seguida, vamos abrir o geoprocesso do Diagrama de Voronoi propriamente dito, acessando o menu “Vista > Gestor de geoprocessos“. Ao clicarmos nesta opção irá abrir a janela do Gestor de geoprocessos. Para localizar o geoprocesso do Diagrama de Voronoi é necessário navegar na árvore de Geoprocessos: “Geoprocessos > Análises > Geometria Computacional > Voronoi > TIN/Voronoi/Delaunay“:

voronoi01

Ao clicarmos nesta opção irá aparecer no lado direito da janela do Gestor de geoprocessos uma descrição dos procedimentos que serão aplicados. Basta clicarmos na opção “Abrir Geoprocesso” para abrir a janela do Geoprocesso:

voronoi02

 Como “Camada de entrada” vamos selecionar o shape “paradas_bus.shp“; automaticamente o gvSIG nos avisará que foram selecionados 17 elementos. Selecionaremos a opção “Polígonos de Thiessen (Voronoi)” e a opção “Chew’s incremental TIN baseado em um triângulo envolvente“. Por último, clicamos no botão “Abrir” e selecionamos o local e o nome para o shape que será criado.

Feitas estas seleções, podemos gerar o Diagrama de Voronoi, bastando para isso clicar no botão “Aceitar” e aguardar a geração do diagrama.

No final do processo, seremos apresentados a uma tela semelhante a essa:

voronoi03

Para melhorarmos a visualização e obtermos um resultado mais significativo em termos de interpretação, podemos alterar as propriedades da camada do Diagrama de Voronoi, retirando o seu preenchimento, o que nos permitirá visualizar a distribuição das paradas de ônibus e como cada conjunto de quadras está sendo atendido pelas suas respectivas paradas:

voronoi04

Por hoje é isso, pessoal! Espero conseguir tempo para colocar online todos os artigos que tenho por aqui sobre o uso do gvSIG… Um abraço a todos os que nos acompanham e nos incentivam nessa empreitada!

Calculadora de campos no gvSIG – Operações com textos – parte 2


Buenas, pessoal!

Dando seguimento ao nosso estudo do uso da Calculadora de Campos no gvSIG, vamos continuar a lidar com as operações com textos, destrinchando mais algumas funções que são disponibilizadas pelo gvSIG.

Para início de história, vamos baixar o arquivo shape sobre o qual vamos trabalhar: ARQUIVO2. Em seguida, criamos uma nova vista, com a projeção SAD69/UTMzone23S (código EPSG 29183), e inserimos o nosso novo shape, e entramos em modo de edição (se não sabe como chegar até aqui, confira o primeiro artigo desta série).

Uma dica importante para quem usa Linux: se você está visualizando caracteres “estranhos” quando abre a tabela de atributos do shape, você está enfrentando problemas com a codificação do arquivo .dbf:

Para corrigir este problema, basta seguir a dica do blog Processamento Digital: Codificação Padrão do DBF.

 Função subString: Separando partes de uma string:

Uma das funções a que precisamos recorrer frequentemente é separar partes de uma string. Na tabela vinculada ao shape que estamos trabalhando existe o campo [FONE], que contém uma string com o número do telefone, incluindo o prefixo (código de área):

 

Vamos separar esta string em duas informações: prefixo e telefone, aproveitando os campos que já estão disponíveis na tabela. Vamos fazer essa tarefa em dois passos:

Primeiramente, selecionamos a coluna [PREFIXO], clicando no respectivo nome na tabela. Em seguida, acessamos a Calculadora de Campos (menu Campo > Expressão). Selecionamos então a opção “String”, e localizamos a função que queremos aplicar: “subString”. Ao clicarmos duas vezes sobre ela, aparecerá a seguinte expressão no campo de Expressões:

subString(,,)

Podemos então editar essa expressão, para que fique dessa forma:

subString([FONE],0,4)

Com isso, estamos dizendo para o gvSIG pegar a string do campo [FONE], e separar a substring que inicia no caractere 0 (zero) e termina no caractere 4 menos 1 (para o Python, começamos a contar os caracteres a partir do zero).

Para entender melhor:

(21) 3371-9411
01234567890123

Ou seja: separaremos a substring que está contida entre o primeiro e o quarto caracter, e colocaremos o resultado no campo [PREFIXO], que estava previamente selecionado. Ao clicarmos em “Aceitar” poderemos ver o resultado da nossa expressão:

 Essa forma de contar pode parecer um pouco confusa no começo, mas depois a gente pega o jeito…

Agora vamos a segunda parte: selecionamos a coluna [TEL] e acessamos novamente a Calculadora de Campos. Agora, digitaremos a seguinte expressão:

subString([FONE],5,14)

 Ou seja: da string presente no campo [FONE] estaremos selecionando a substring que começa no caractere 5 (o sexto caractere) e que termina no caractere 14 menos 1 (isto é, 13, ou o décimo quarto caractere). Clicando em “Aceitar”, poderemos visualizar o resultado da expressão que criamos:

Como eu disse anteriormente, no começo pode parecer um pouco confuso, mas depois que entendemos o processo fica fácil de aplicar as regras e obter os resultados que precisamos ao manipularmos strings.

Concatenando strings com a função “+”

Agora vamos fazer o caminho inverso, para aprendermos a lidar com a função de concatenar strings. Como primeiro passo, crie o campo [TELEFONE] com as mesmas propriedades do campo [FONE] (string, comprimento = 24). Lembre-se que, para isso, precisamos estar no modo de edição (se você está acompanhando o tutorial, já deve estar no modo de edição).

Selecione o campo [TELEFONE] na tabela e abra a Calculadora de Campos. Vamos criar agora a string telefone no formato “0XX (21) 3371-9411”, Para tanto, digite a seguinte expressão:

"0XX " + [PREFIXO] + " " + [TEL]

O “segredo” aqui é inserirmos os caracteres das partes da string que queremos adicionar à string final entre aspas duplas (Ex.: “0XX “). Preste atenção também ao uso dos espaços. Basta digitarmos as strings e intercalarmos os campos, com a função de concatenação, de modo a obtermos o resultado desejado. Ao clicarmos em “Aceitar”, poderemos ver o resultado final:

Função toLowerCase

Converte todos os caracteres de uma string para caixa baixa (LowerCase).

Já não vou explicar o processo de aplicação da expressão, pois creio que nesta altura do campeonato essa parte já deva estar dominada. Vou apenas apresentar a expressão utilizando a função, e o resultado final:

toLowerCase([NOME])

 Função toUpperCase:

Converte todos os caracteres de uma string para caixa alta (UpperCase).

toUpperCase([MUNICIPIO])

Buenas… por hoje é isso, pessoal! Lembrem-se de que, para salvarmos todas as alterações que efetuamos na tabela, precisamos sair do modo de edição do shape e salvar as alterações quando questionados.

Espero que eu não tenha sido sucinto demais, mas quem encontrar alguma dificuldade basta revisar os artigos anteriores desta série, que o processo está bem “mastigadinho”.

No próximo artigo abordaremos o uso da aba “Avançado” da Calculadora de Campos. Aguardem, que vem muita novidade por aí!  😉

Voltando… de novo!

Buenas, pessoal!

Depois de um forçado descanso [quase] sabático, por motivos que não é o caso de mencionar por aqui, mas que me impossibilitaram de estar presente mais constantemente através do meu blog, volto para anunciar que… em breve estarei de volta! 🙂

Não prometo muita constância, mas ao menos não deixarei o blog abandonado às traças, como aconteceu nestes últimos meses. Estou sabendo que estamos com alguns problemas de acesso direto aos artigos, e também que em alguns artigos as imagens estão com problemas (o servidor de imagens que eu utilizava fechou nesse meio tempo, e não houve tempo hábil para recuperar as imagens). Prometo que nos próximos dias estarei arrumando esses problemas (afinal, esse ano é um ano de eleições… 😉 ).

Na medida do possível aguardem novas postagens, principalmente quanto ao gvSIG e a série #SLGeoTbFaz.

Por enquanto é isso, pessoal! Nos vemos em breve…

Calculadora de Campos no gvSIG – Introdução (#SLGeoTbFaz)

Buenas, pessoal!

Só mesmo o @jpsantos2002 para me tirar desse quase “descanso sabático” de postagens aqui no blog! Acontece que ele iniciou uma série de artigos sobre o uso da Calculadora de Campos no ArcGIS, um assunto que sempre me interessou mas que nunca encontrava tempo para me aprofundar no estudo. Quando vi os primeiros artigos da série, imediatamente pensei: “taí” um bom gancho para mais um artigo da série #SLGeoTbFaz!

Apesar de ser uma ferramenta poderosa para a atualização, edição e criação de novos campos de dados em tabelas, é uma ferramenta pouco explorada em tutoriais, e acaba sendo pouco conhecida. O manual do gvSIG apresenta um capítulo a parte sobre a Calculadora de Campos, mas não é muito rico em exemplos de uso. Além deste material, até o momento encontrei apenas dois tutoriais que falam sobre o assunto (e que já estão devidamente catalogados na Coletânea de links sobre o gvSIG): Operador “like” SQL en GvSig e Concatenar campos com Field Calculator. Recomendo a leitura dos dois artigos, que muito nos ajudam a entender sobre o assunto.

Mas, chega de conversa fiada e vamos ao que interessa: a Calculadora de Campos!

Como já comentamos, a Calculadora de Campos é um poderoso recurso disponibilizados pelos programas SIG (entre eles, o gvSIG), e que nos permite fazer a inserção automática de valores na tabela de atributos de um shapefile através de operações matemáticas e expressões lógicas. Utilizada em conjunto com as ferramentas de seleção, filtro e NavTable potencializa as aplicações com dados em tabela, facilitando a edição dos mesmos sem que seja necessário lançar mão de outros aplicativos.

Todas as geometrias do shapefile (ponto, linha ou polígono) possuem uma base de dados que armazena informações no arquivo DBF. As operações da Calculadora de Campo podem ser executadas para atualizar valores de um determinado campo ou aplicar o resultado de uma operação num novo campo. Para fins de compatibilidade com a série de artigos do Jorge Santos vamos utilizar neste tutorial o mesmo shapefile que ele disponibilizou, e que pode ser baixado aqui: ARQUIVO1.

Para iniciar os trabalhos, crie uma nova Vista no gvSIG, e altere a projeção da vista para SAD69/UTMzone23S (código EPSG 29183), que é a projeção do shapefile que iremos trabalhar.

Feito isto, podemos abrir a Vista que criamos e inserir o arquivo shapefile que baixamos. No gvSIG todas todos os arquivos que fazem parte da Vista são organizadas em camadas que, após inseridas, são apresentadas no TOC (Table of Contents). Para selecionar o arquivo a trabalhar, basta clicar em cima do nome do mesmo no TOC, e ele passa a aparecer destacado na listagem:

Para abrir a Tabela de atributos da camada, selecione-a no TOC e, em seguida, acesse o menu Camada > Ver tabela de atributos, ou clique no ícone correspondente na barra de ferramentas:

Será mostrada a Tabela de atributos do shape selecionado:

Criando um novo campo:

Em muitos momentos nesta série de tutoriais sobre a Calculadora de Campos será necessária a criação de novos campos na Tabela de atributos do shape, para que possamos inserir novas informações. Portanto, vamos revisar o procedimento para a criação de novos campos na Tabela de atributos.

Em primeiro lugar, precisamos colocar o gvSIG em modo de edição. Para tanto, com o arquivo selecionado no TOC, clicamos com o botão secundário do mouse sobre ele e, no menu contextual que aparece, selecionamos a opção “Iniciar edição”.

O gvSIG entrará em modo de edição. Acesse novamente a tabela de atributos do shape. A partir do momento que aparece a tabela de atributos na tela, já poderemos alterá-la. Para isso, vamos acessar o menu Tabela > Modificar a estrutura da tabela. Será aberta a janela do Editor de campos.

Nesta janela podemos observar a estrutura da tabela que estamos trabalhando, de onde podemos obter alguns dados importantes: o “Nome do campo”, o “Tipo” do campo (que pode variar entre Boolean, Data, Integer (Inteiro), Double (Dupla precisão) e String), o “Tamanho” do campo, a “Precisão decimal” (número de dígitos decimais, em campos numéricos), e o “Valor padrão” (que pode ajudar no momento do preenchimento da tabela, se temos um campo com um valor padrão, que se repete com frequencia). Como queremos acrescentar um campo à tabela, vamos clicar no botão “Novo campo”.

Na janela “Propriedades do novo campo” que é aberta, vamos criar um novo campo, que irá representar o município ao qual o ponto está inserido. Para tanto, vamos determinar “MUN” como Nome do campo, selecionar “String” como Tipo, e digitar o valor “50” como Tamanho do campo.

Obs.: Existem algumas regras para a criação dos nomes de campos em tabelas vinculadas a shapes, herança do formato de arquivo .DBF que é adotado. As principais regras são:

  • O nome dos campo possui um limite de 10 caracteres;
  • Números, letras, hífens e underscores são permitidos;
  • Não são permitidos espaços e caracteres especiais.

Terminada a inserção dos dados, clicamos em “Aceitar” e podemos conferir que o campo foi criado conforme nossas especificações, passando a fazer parte da Tabela de atributos.

Com o novo campo criado, vamos clicar em “Aceitar” para fechar a janela “Editor de campos”, e começarmos a usar a Calculadora de Campos.

Utilizando a Calculadora de Campos

Como primeiro exemplo, vamos utilizar a Calculadora de Campos para preencher automaticamente o campo “MUN” com o valor “Rio de Janeiro”, que é o município onde estão localizados os pontos do nosso shape. Clique com o botão principal do mouse sobre o nome da coluna “MUN”, selecionando-o, e vamos acessar a Calculadora de Campos.

Para abrir a Calculadora de Campos, devemos clicar no menu Campo > Expressões, ou clicar no ícone correspondente na barra de ferramentas:

Abrirá a janela “Calcular expressão”. Para inserir dados do tipo String devemos digitar o texto entre aspas duplas. Digite “Rio de Janeiro” para preencher a coluna do campo MUN com o nome do município. Clique no botão Aceitar para completar a operação.

Observando a Tabela de atributos, podemos notar que todos os campos da coluna “MUN” foram preenchidos com o valor “Rio de Janeiro”.

Para encerrar a seção de edição, no ToC devemos clicar com o botão secundário do mouse no nome do shape que estamos editando e selecionar a opção “Terminar edição”. Responda “Sim” à pergunta “Deseja salvar a camada?”, e todas as alterações que fizemos na Tabela de atributo serão salvas.

Esse foi o nosso primeiro contato com a Calculadora de Campos no gvSIG. No próximo tutorial começaremos a explorar as operações com campos do tipo String (texto).

Seleção por camada no gvSIG

Buenas, pessoal!

O artigo de hoje é uma dica rápida, mas interessante, em resposta a uma dúvida do nosso amigo Jose Carlos Jr., o @geojcarlos, do blog “Carta Geográfica“: ele precisava selecionar de um conjunto de municípios aqueles que pertencem a uma determinada bacia hidrográfica; ou seja, a partir de uma camada fazer uma seleção em outra camada.

Em um primeiro momento, pensei em usar o geoprocesso “Interseção”, mas não obtive o resultado esperado, pois eram selecionadas apenas as áreas que pertenciam à bacia hidrográfica em questão; municípios que pertenciam a mais de uma bacia hidrográfica eram selecionados apenas parcialmente, o que não resolvia o nosso problema.

Parti então para uma consulta ao “amansa burro”: no caso, o manual do gvSIG. E estava lá a resolução do nosso problema: a seleção por camada.

Baixe os dados que usamos neste tutorial, a partir do site do Instituto de Terras, Cartografia e Geociências do PR: a divisão municipal do PR, e o shape das Bacias Hidrográficas do PR.

Vamos primeiramente abrir o gvSIG e criar um novo Projeto e uma nova Vista, tomando o cuidado de selecionar a projeção geográfica compatível com os nossos dados (EPSG 29182 – SAD69/UTM Zone 22S). Em seguida, vamos abrir a Vista e inserir os dois shapes que queremos trabalhar, deixando o shape das bacias hidrográficas por cima do shape das divisas municipais (retirei o preenchimento do shape das bacias, para facilitar a visualização:

Vamos agora selecionar a bacia hidrográfica da qual queremos saber quais são os municípios que a intersectam. Para isso, com o shape das bacias hidrográficas selecionado no TOC, escolhemos a ferramenta de seleção por ponto e clicamos na bacia hidrográfica de nosso interesse. Selecionei a Bacia Hidrográfica Ivaí:

Vamos agora selecionar no TOC a camada dos limites municipais (isso é importante, pois define a camada da qual queremos selecionar as feições), e vamos acessar o menu Vista > Seleção > Seleção por camada:

Na janela de opções da ferramenta vamos definir alguns parâmetros: em “Selecionar das camadas ativas as feições que…”, vamos selecionar a opção “Intersectam com”; em “Elementos selecionados da camada”, vamos selecionar a camada “BACIAS_HIDROGRÁFICAS_2007.shp”; em seguida, clicamos na opção “Novo Conjunto”. Ou seja: estamos criando um novo conjunto de seleção, na camada dos limites municipais, selecionando aqueles municípios cujos limites intersectam com a bacia hidrográfica selecionada na camada das bacias:

Ao clicarmos em “Novo conjunto”, a operação será aplicada e teremos o nosso resultado:

Todos os municípios que fazem parte da Bacia Hidrográfica Ivaí estão selecionados, e agora podemos exportar este conjunto para um novo shape, através do menu Camada > Exportar para… > SHP.

É isso aí, pessoal! Resolvemos o nosso desafio… 😉

 

 

Delimitação de Microbacias Hidrográficas com o gvSIG – Parte IV

Buenas, pessoal!

Finalmente entramos na reta final deste tutorial sobre a delimitação de Microbacias Hidrográficas (MBH) com o gvSIG. Nesta última parte faremos a delimitação propriamente dita.

Havíamos encerrado o post anterior com as sub-bacias hidrográficas de nossa área de estudo caracterizadas e devidamente vetorizadas:


Vamos prosseguir a partir daqui:

Selecionar as sub-bacias que pertencem à MBH de interesse:

Em primeiro lugar, vamos alterar a ordem das camadas que estão presentes no TOC, de modo que a camada vetorial da rede de drenagem esteja por cima da camada vetorial das sub-bacias hidrográficas. Além disso, é interessante alterar a simbologia da rede de drenagem, mudando a cor e a espessura da linha, de modo em a rede de drenagem possa ser facilmente visualizada por cima da camada das sub-bacias. Esse procedimento irá ajudar bastante na análise visual.

Em seguida, precisamos identificar a região da área de estudo em que está localizada a MBH que queremos delimitar, e dar um zoom na área, de modo a enquadrá-la na área de trabalho, facilitando procedimento de seleção.

Confirmamos que a camada vetorial das sub-bacias está selecinada no TOC, e passamos para a fase da seleção propriamente dita. Neste momento faremos uso das ferramentas de seleção de feições: 

Uma dica é utilizar primeiramente a ferramenta “Seleção por polígono”, procurando fazer o contorno da área de interesse. Quando terminar  a seleção, basta dar um “duplo clique” para fechar o polígono de seleção, e toda a área interna ao polígono desenhado será selecionada. Bastará então utilizar a ferramenta de “Seleção por ponto” para selecionar  as eventuais áreas que ficaram fora da seleção anterior, tomando o cuidado de pressionar simultaneamente a tecla “Ctrl”, para que as feições selecionadas sejam adicionadas à seleção já existente. O mesmo pode ser feito para remover a seleção de alguma sub-bacia que eventualmente não faça parte da MBH em questão: basta clicar sobre ela com a ferramenta de “Seleção por ponto”, sempre com a tecla “Ctrl” pressionada, que será removida a seleção da sub-bacia.

No final do trabalho de seleção deveremos ter uma camada semelhante a da figura a seguir:

Vamos agora exportar essa seleção para uma nova camada: acessamos o menu Camada > Exportar para > SHP, e definimos um nome e o caminho para o arquivo shape que será gerado. Ao clicarmos em “Aceitar” aparecerá uma mensagem informando o número de feições que serão exportadas, e perguntando se desejamos continuar:

Após clicarmos em “Sim”, a seleção será exportada para um novo shape, e seremos questionados se queremos inserir a nova camada na Vista, ao que devemos responder novamente “Sim”. E seremos apresentados ao shape das sub-bacias que compõe a nossa MBH:

Precisamos agora gerar um shape que contenha todas as sub-bacias, delimitando assim a área da MBH. Para isso, vamos…

Aplicar o geoprocesso “dissolver”:

Clicamos com o botão direito sobre camada da MBH que acabamos de criar e, no menu contextual que é aberto, clicamos na opção “Iniciar edição”. Em seguida, clicaremos no ícone “Mostrar atributos”, para que possamos ter acesso à tabela de atributos do shape da MBH. Acessamos então o menu Tabela > Modificar estrutura da tabela, pois precisaremos acrescentar um campo à estrutura da tabela que contenha um mesmo valor em todos os elementos da tabela para podermos aplicar o geoprocesso dissolver.

Na janela do “Editor de campos” que se abre vamos selecionar a opção “Novo campo”. Podemos alterar o “Nome do campo” (utilizei o nome “dissolver”); em “Tipo” vamos deixar selecionada a opção “string”; em “Tamanho” alteramos para o valor “1”; e, finalmente, em “Valor padrão” escolhemos um valor que aparecerá automaticamente preenchido em todos os elementos da tabela no novo campo que estamos inserindo.

Ao clicarmos em “Aceitar” o campo será inserido, e poderemos conferir este fato na listagem dos campos da tabela de atributos do shape que nos é apresentada:

Podemos então clicar em “Aceitar”, fechamos a Tabela de atributos e, no TOC, clicamos com o botão direito na camada que estávamos editando, e selecionamos a opção “Termina a edição”.

Em seguida, vamos acessar o menu Vista > Gestor de geoprocessos. Na janela de Geoprocessos que se abre, selecionaremos: Geoprocessos > Análises > Agregação > Dissolver

Ao selecionarmos a opção “Abrir Geoprocesso”, abrirá a janela de configuração da ferramenta, onde selecionaremos as seguintes opções: em “Camada de entrada” selecionamos o shape da MBH; podemos conferir se o número de elementos selecionados está correto; em “Campo para dissolver” selcionaremos o campo que acabamos de criar (“dissolver”, no meu caso); finalmente, em “Camada de saída”, vamos nomear arquivo e definir o caminho onde o mesmo será salvo.

Ao clicarmos em “Aceitar” o geoprocesso dissolver será aplicado, e teremos o resultado desta operação:

Podemos perceber que todas as feições foram dissolvidas e temos agora um shape que contém apenas uma feição, correspondente a área total da nossa MBH. Podemos agora agregar algumas informações a este shape, como por exemplo:

Calcular a área e o perímetro da MBH:

Para agregar essas informações ao shape que acabamos de criar vamos acessar o menu Camada > Adicionar informação geométrica.

Na janela “Adicionar informações geométrica” que se abre vamos selecionar o shape que acabamos de criar no passo anterior em “Camada”; selecionamos as informaçôes geometricas “área” e “perímetro”, clicando em seguida no ícone “Adiciona os ítens selecionados”:

Após clicarmos em “Aceitar” serão calculados a área e o perímetro da nossa MBH, com as unidades de medida definidos na configuração inicial das propriedades da Vista. Os valores estarão na tabela de atributos do shape, e podemos consultá-los através do ícone “Tabela de atributos:

Recortar a rede de drenagem da microbacia hidrográfica:

Como último passo deste tutorial vamos recortar a rede de drenagem, de forma a termos separada apenas a rede de drenagem da MBH que nos interessa. Para tanto, acessaremos o menu Vista > Gestor de geoprocessos e, na janela do Gestor de Geoprocessos, acessaremos o caminho: Geoprocessos > Análises > Sobreposição > Recortar.

Clicamos em “Abrir Geoprocesso” e, na janela de opções da ferramenta, aplicaremos as seguintes configurações: em “Camada de entrada” selecionamos o shape da rede de drenagem; selecionamos como “Camada de recorte” o shape do limite da MBH; e, em “Camada de saída” definimos o nome e o caminho do arquivo que será gerado.

Após clicarmos em “Aceitar”, o geoprocesso será aplicado e obteremos o nosso resultado:

Na próxima imagem apresento a MBH devidamente delimitada, juntamente com sua rede de drenagem, que é o nosso resultado final, já com a simbologia alterada para uma melhor apresentação visual:

A partir deste momento poderemos gerar o mapa da MBH, para ser impresso ou salvo como um arquico pdf, mas esse não é o objetivo deste tutorial. Para quem quiser fazer esse trabalho indico o excelente tutorial sobre o “Modo layout no gvSIG“, do meu amigo Esdras, no blog Geo para Linux

Delimitação de Microbacias Hidrográficas com o gvSIG – Parte III

Buenas, pessoal!

Vamos agora para a terceira parte do tutorial sobre delimitação de Microbacias Hidrográficas (MBH) com o gvSIG. Na segunda parte do tutorial vimos como gerar o MDT a partir de um arquivo shape contendo curvas de nivel da região de interesse. Neste momento, estamos com o MDT pronto e processado, de modo a não apresentar depressões. Retomamos o trabalho a partir deste ponto.

Gerar a camada de fluxo:

Para início de conversa, abriremos a ferramenta Sextante: SEXTANTE > Basic hydrological analysis > Flow accumulation

Na janela da ferramenta que se abre, vamos efetuar as seguintes configurações: Na aba “Parameters”, seção “Inputs – Raster layers”, em “Elevation” selecionaremos a camada que foi gerada após o processamento de eliminação das depressões; em “Weight” deixamos sem seleção (Not selected); na seção “Options”, em “Method” selecionamos a opção “MFD (Multiple Flow Directions)”; em “Convergence factor (MFD), colocamos o valor de “1.1”; na seção “Outputs”, como de praxe, selecionamos o nome e caminho onde o arquivo resultante será salvo.

Na aba “Output region” deixaremos selecionada a opção “Fit to input layers” (nota: de agora em diante essa será a opção “padrão”, quando não nos referirmos a ela nas próximas fases. Se houver alguma necessidade de alterar essa opção, eu avisarei).

Ao clicarmos em “OK” a rotina de acúmulo de fluxo será aplicada, e obteremos como resultado final um arquivo raster que representa o acúmulo de fluxo da nossa área de estudo:

Podemos agora partir para a geração da rede de drenagem.

Gerar a rede de drenagem:

Abrimos novamente a ferramenta Sextante: SEXTANTE > Basic hydrological analysis > Channel network

Definindo as opções da ferramenta: Na aba “Parameters”, seção “Input – Raster layers”, vamos definir que em “Elevation” será utilizada a camada raster do MDT processado (sem depressões); em Threshold layer, selecionaremos a camada de fluxo, gerada na fase anterior; na seção “Options”, primeiramente não mexeremos nas opções apresentadas: em “Criteria” está selecionado “Greater than”, e em Threshold está o valor de “10000.0”; na seção “Outputs, o diferencial agora é que será gerada uma camada no formato raster e outra no formato vetorial. Definimos aqui nome e caminho para caminho para cada um dos arquivos que será gerado. Na aba “Output region”, como comentamos anteriormente, deixaremos selecionada a opção “Fit to input layers”.

Ao rodarmos a rotina clicando em “OK”, seremos apresentados ao arquivo resultante: a rede de drenagem da nossa área de estudo:

Como podemos observar, a rede de drenagem ficou muito detalhada. Se aplicarmos a rotina de geração de sub-bacias neste arquivo, receberemos como resultado centenas de sub-bacias, referentes a cada contribuinte da rede de drenagem, por menor que seja. Co mo não é esse o objetivo neste momento, vamos alterar os parâmetros para obter uma rede de drenagem com menos detalhes:

Abrindo novamente a ferramenta “Channel ntetwork” do Sextante, vamos alterar apenas a opção “Threshold”, da seção “Options” da aba “Parameters”. Como uma primeira aproximação, vamos alterar o valor de “10000.0” para “100000.0”; não alteraremos as demais opções.

Pressionado “OK”, a rotina será aplicada novamente, e obteremos nossa nova rede de drenagem:

Podemos perceber que a rede de drenagem já está menos detalhada, apresentando um nível adequado para o trabalho que queremos fazer. Se precisássemos um nível de detalhes ainda menor, bastaria alterarmos novamente o valor de “Thereshold”. Por exemplo, utilizando o valor 1000000.0, praticamente aparecerá na rede de drenagem apenas os canais principais.

Com a rede de drenagem gerada, podemos passar para o próximo passo:

Gerar as sub-bacias hidrográficas:

Acessamos novamente a ferramenta Sextante: SEXTANTE > Basic hydrological analysis > Watersheds

Configurando a ferramenta: na aba “Parameters”, seção “Inputs – Raster layers”, em “Elevation” selecionamos a camada raster do MDT processado (sem depressões); em “Chanel network” selecionamos a camada da rede de drenagem que geramos no passo anterior; na seção “Options”, em “Minimum watershed size [cells]” podemos definir o tamanho mínimo, em células, que a sub-bacia pode ter. Neste caso, deixamos o valor padrão (“0”); Na seção “Outputs”, definimos o nome do arquivo e o caminho onde ele será salvo. Na aba “Output region”, deixamos selecionada a opção “Fit to input layers”.

Ao clicarmos em “OK”, seremos apresentados ao nosso resultado final: um arquivo raster representando todas as sub-bacias hidrográficas da nossa área de estudo.

Na próxima imagem podemos conferir a rede de drenagem sobreposta às sub-bacias hidrográficas:

Para os próximos passos no trabalho de delimitação das MBH, precisaremos converter este arquivo raster em um arquivo vetorial:

Vetorizar as sub-bacias hidrográficas:

Pela última vez neste tutorial, vamos acessar a ferramenta Sextante: SEXTANTE > Vectorization > Vectorize raster layer (polygons)

Precisamos definir apenas dois parâmetros: em “Input layer”, selecionamos a camada raster que queremos vetorizar (a camada das sub-bacias hidrográficas que acabamos de gerar), e em “Outputs – Result[vector]” definimos o nome do arquivo e o caminho onde ele será salvo.

Novamente clicando em “OK” seremos apresentados ao arquivo vetorial simbolizando as sub-bacias da nossa área de estudo:

Como último passo desta parte do tutorial, vamos alterar a simbologia da camada de sub-bacias hidrográficas, para facilitar os trabalhos seguintes:

Aplicar simbologia nas sub-bacias hidrográficas:

Selecionamos no TOC a camada “Result” (gerada no passo anterior), e, clicando com o botão direito do mouse sobre ela, selecionamos no menu contextual que se abre a opção “Propriedades”. Na aba “Simbologia”, selecionamos Categorias > Valores únicos

Em “Campo de classificação” escolhemos o campo pelo qual iremos aplicar a simbologia (Watersheds, neste caso); em “Esquema de cores”, escolhemos um gradiente de cores que nos agrade, de preferência com uma grande variação de cores (selecionei o esquema “purple-red+stripes”); em seguida, clicamos em “Adicionar todos”. Aparecerá a mensagem de alerta: “mais de 100 símbolos não contribuem para uma clara informação em um mapa”:

Podemos clicar em “Yes”, pois neste caso o que queremos é apenas facilitar a diferenciação das diferentes áreas.

Clicando em “Aplicar” teremos um “preview” e, se o resultado nos agradar, podemos clicar em “Aceitar”. Seremos então apresentados ao nosso arquivo vetorial, já com a simbologia aplicada:

Com isto terminamos esta terceira parte do nosso tutorial sobre delimitação de Microbacias Hidrográficas com o gvSIG. Na próxima (e última) parte iremos finalmente selecionar as sub-bacias que compõe a nossa MBH, e executar os procedimentos que nos permitirão delimitá-la.

 

Delimitação de Microbacias Hidrográficas com o gvSIG – Parte II

Buenas, pessoal!

Estamos de volta com a segunda parte do tutorial de delimitação de Microbacias Hidrográficas (MBH) com o gvSIG. Para darmos continuidade precisaremos do arquivo shape contendo as curvas de nível da nossa área de interesse, que foi obtido no final da primeira parte deste tutorial:

Passaremos agora a gerar o modelo digital do terreno a partir destas curvas de nível.

Rasterização das curvas de nível:

Como primeiro passo, precisamos transformar os vetores em um arquivo raster. Para tanto, acessamos novamente a ferramenta Sextante: SEXTANTE > Rasterization and interpolation > Rasterize vector layer

Na janela de configuração da ferramenta que se abre vamos alterar os parâmetros da primeira aba (“Parameters”): na seção “Inputs – Vector layer”, em Vector Layer selecionamos a camada de entrada, que nesse caso é a camada que contém o recorte das curvas de nível; em Field, precisamos definir qual o campo da tabela contém os dados de altitude (cota) dos vetores que, no nosso caso, está em “CODIGO”; na seção “Outputs”, definimos o arquivo em que será salvo o resultado da operação. Deixei marcada a opção de salvar para um arquivo temporário, mas podemos selecionar o caminho e definir o nome para o arquivo se quisermos salvá-lo.

Na aba “Output region” vamos selecionar a opção “Use extent from layer”, selecionando em seguida a camada do recorte das curvas de nível como base. Em seguida, alteramos a opção “Cell size” para o valor “20.0”, e clicamos em “OK”.

Será processada a rasterização da camada de vetores, e no final obteremos um arquivo raster equivalente ao arquivo vetorial das curvas de nível:

Como podemos notar, temos duas situações neste arquivo: pixels da imagem onde estão as curvas de nível contém informações da altitude das mesmas (cotas), enquanto que nas áreas pretas da imagem estão pixels que não contém informações. Precisamos preencher esses “vazios”, de forma que cada pixel da imagem contenha uma informação de altitude, através de um processo de interpolação. Usaremos outra rotina do Sextante para preencher as células sem dados

Preenchendo as células sem dados:

Voltamos a abrir o Sextante: SEXTANTE > Basic tools for raster layers > Void Filling

Na janela de opções da ferramenta que é aberta, precisamos apenas conferir se em “Layer” está selecionada a camada que foi rasterizada no passo anterior, e podemos deixar o valor default de “0.1” em “Tension thershold”. Em “Outputs – Filled layer[raster], podemos definir o nome e o caminho onde o arquivo gerado será salvo:


Após clicarmos em “OK”, o arquivo raster será processado pela rotina, e teremos no final um arquivo onde cada célula (pixel) contém uma informação de altitude (cota), representando assim o Modelo Digital do Terreno (MDT):

No entanto, antes de darmos por terminada esta fase do trabalho, precisamos executar mais um procedimento. Como o Gilberto explica em suas palestras, com muita propriedade: “precisamos ter certeza que uma gota de água (virtual), largada em qualquer ponto do nosso MDT, irá escorrer até o ponto mais baixo, sem se perder em qualquer depressão que pudesse estar presente”.  Para isso, precisaremos aplicar um procedimento de… eliminar as depressões do MDT.

Eliminando as depressões:

Voltemos à nossa ferramenta Sextante: SEXTANTE > Basic hydrological analysis > Sink filling


Novamente, na janela da ferramenta que é aberta, vamos definir alguns parâmetros: em “Input – Raster layers”, vamos tomar o cuidado de observar se está selecionada a camada raster gerada no passo anterior (rasterizada e preenchida); em “Min. angle between cells [deg]” podemos deixar o valor default de “0.01” e, como sempre, em “Outputs – Preprocessed[raster]”, definiremos o nome e o caminho onde será salvo o arquivo que será gerado pela rotina. É importante que salvemos este arquivo, pois o mesmo será utilizado para os procedimentos subsequentes.

Após clicarmos em “OK” será iniciado o processamento. E aqui cabe uma ressalva importante: esse processo é demorado! Para fins de comparação, o processo demorou 50 minutos em um computador com processador Intel Core 2 Quad e 8 Gb de RAM. Portanto, tenha paciência, saia para fazer um lanche, e aguarde o término do processamento!

Finalizado o processamento seremos apresentados ao resultado final. Aparentemente, não há diferenças entre esse e o arquivo anterior, mas agora temos certeza que todas as depressões do terreno foram eliminadas.

Terminamos aqui a segunda parte deste tutorial. Na próxima parte estaremos trabalhando com a geração da camada de acúmulo de fluxo, a geração da rede de drenagem e, finalmente, a geração das sub-bacias hidrográficas. Aguardem!